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domingo, 20 de março de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

moais
















e se vou lasciva
volto pedra infinita
no reino das horas
quase perdidas

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

cozido















o verbo ferve
na nervura do músculo
que teso frija
à altura do ósculo

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

mudo





















se as palavras ferem
e as peles se aceitam
seja o silêncio
nosso escudo

domingo, 21 de novembro de 2010

delicada














se me beija
gomos, pétalas
e botão
sou pele
e mais nada

dedicada















faço tudo de mansinho
para ver se esse momento
passa bem devagarzinho

trópico



















colo que dobra-me
beirando a devoção
é calor úmido
é banho de suor
e chuva
em tarde de sol
a pino.

textura

















minha pele
arrepiada
sob a sua
mordedura

aflita
















das juras sobraram
as falas não ditas
os olhos nos olhos

como criança que grita
proteja-me, amor!

sábado, 20 de novembro de 2010

natureza morta




















rubras reluzem sobre o móvel turvo
maçãs numa cesta ovalada copulam
livres e notívagas, quem há de punir?

impuras não atingiram chão ou céu
perdem-se no pecado de serem suas
maduras e nuas sob moldura de papel.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ama quem te ama




















então não trago culpa
de ser assim tão leviana

meu


















ele cheira mato
ele cheira-me
ele cheira mata


mata-me
de amor

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

abstrato

























estou frágil e me engano
tantas são as cores
que pincelam a ilusão
que é fácil baixar a guarda
minha capital é caos
nalguma falésia sua

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

cativo




















noites em claro
são manhãs rubras
quando contigo

míngua


















oro abundância
e só tenho sal
do teu suor
no meu umbigo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

in-voluntária

















és em mim
sentimento
de dentro
pra fora

defloras

matelassê













deitamos na trama
fiados por torção
flutuamos livres
no meio de nós
dois tecidos

domingo, 24 de outubro de 2010

retórica

















sustenta na língua
o irremediável
o universal signo
e o toque que me cala

origami




















dedos trabalham
a figura profana
é meu antônimo
em dobraduras
de papel